Várzea Grande (MT) está entre os dez municípios com o pior saneamento básico do Brasil

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Por Caroline Mesquita, g1 MT

Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, está entre os dez municípios com o pior saneamento básico do país, com nota 3,64. De acordo com os dados do Instituto Trata Brasil, publicado nessa segunda-feira (20), a cidade aparece em 9° lugar entre os índices mais baixos. No passado, o município ficou em 10° lugar, com nota 3,45.

Em contrapartida, Cuiabá subiu 23 posições, passando de 55º para 32º e teve o maior crescimento proporcional do país. Segundo a pesquisa, em um ano houve uma melhora consistente em praticamente todos os indicadores analisados pelo ranking: coletas de esgoto total e urbana, tratamento de esgoto, investimentos. Ainda teve queda nos indicadores de perda de água.

g1 entrou em contato com a Prefeitura de Várzea Grande, que disse que essa classificação se arrasta a muito tempo e que é resultado da falta de investimentos e crescimento acelerado da cidade. Mas que com as obras da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Santa Maria, o esgotamento sanitário vai saltar de 27% para 68%. (Veja a resposta na íntegra abaixo)

A pesquisa

O Instituto Trata Brasil considera na pesquisa os 100 maiores municípios do país, a partir da estimativa populacional de 2021, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São coletados dados informados pelos prestadores de serviços de saneamento básico de cada município ao Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). A nota é gerada a partir da média aritmética ponderada de 12 indicadores analisados.

Em Várzea Grande, segundo a pesquisa, 98,15% da população do município possui Indicador de Atendimento Total de Água (ITA), que mostra a porcentagem da população que é atendida com abastecimento de água. A média nacional é de 94,19%.

Em relação aos indicadores de esgoto, 29,50% da população do município possui o esgoto coletado. O Indicador de Atendimento Total de Esgoto (ITE) mostra que quanto maior a porcentagem, melhor deve ser a colocação do município no ranking. A média nacional deste indicador é de 76,84%.

O Indicador de Tratamento Total de Esgoto (ITR) mostra a porcentagem do esgoto tratada, em relação à água consumida. Em Várzea Grande, esse índice é de 48,10% e a média no Brasil, 63,30%.

Sobre a perda de água, o Indicador de Perdas na Distribuição (IPD) mostra a parte de água produzida que é perdida durante a distribuição. Segundo o levantamento, quanto menor o índice, mais bem classificado o município fica. Esse valor, em Várzea Grande, ficou em 70,71%. A média no país é de 36,51%.

O estudo mostra também o Indicador de Perdas Volumétricas (IPV), medido por litros desperdiçados a cada dia. De acordo com o instituto, valores menores desse índice indicam uma menor perda de água. O valor ideal de perdas de um município é 216 L/ligação/dia. Em Várzea Grande, esse valor atinge 1.032,45 L/ligação/dia.

Capital

A nota final de Cuiabá foi de 8,08 e os mesmos indicadores classificados ficaram em:

  • Indicador de Atendimento Total de Água (ITA) – 98,13%
  • Indicador de Atendimento Total de Esgoto (ITE) – 76,43%
  • Indicador de Tratamento Total de Esgoto (ITR) – 71,51%
  • Indicador de Perdas na Distribuição (IPD) – 55,42%
  • Indicador de Perdas Volumétricas (IPV) – 775,07 L/ligação/dia

 

De acordo com o instituto, embora o município tenha sido o que apresentou maior variação positiva, não houve alteração nos indicadores de abastecimento de água, mas houve incremento de 12,68 e 12,93 pontos percentuais nas coletas de esgoto total e urbana, além de reduções de 4,48 pontos percentuais nas perdas no faturamento.

O valor ideal de perdas volumétricas de um município é 216 L/ligação/dia, e a capital teve o índice de 122,97 L/ligação/dia nas perdas.

Entre os municípios que apresentaram maior variação positiva, aparecem ainda Niterói (RJ) e Vila Velha (ES).

Um recorte feito pelo estudo apresenta os dados e um ranking das capitais dos estados. Cuiabá aparece em 8° lugar.

A pesquisa também traz dados sobre o investimento das prefeituras em saneamento básico. De acordo com o estudo, o patamar nacional médio de investimentos anuais médios per capita é de aproximadamente R$ 203,51 por habitante.

Neste sentido, Cuiabá foi a capital que mais investiu, com R$ 369,33 por morador. A segunda capital que mais investiu foi São Paulo, com R$ 209,33 por habitante, seguida de Natal, com R$ 187,32. Cuiabá foi a única que ficou acima do índice aproximado por habitante.

Nota da Prefeitura de Várzea Grande na íntegra:

Essa classificação se arrasta a muito tempo. Ela é decorrente de uma série de ações não concretizadas como R$ 500 milhões em investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que em 2008 foi suspenso pela Justiça Federal por irregularidades tanto em Cuiabá como em Várzea Grande.

Com a privatização do sistema em Cuiabá, Várzea Grande retomou a condição, após novas licitações de acessar estes recursos. Mesmo assim a grande totalidade destes recursos, principalmente para água e esgoto, não se tornaram realidade, sendo liberado menos de 5% dos valores previstos.

Falta de investimentos, crescimento acelerado da cidade oscilando entre 7% até 15% são os dois principais motivos pelos índices baixos nos investimentos em saneamento, lembrando que desde 2021, Várzea Grande retomou os investimentos com recursos próprios e ainda neste ano de 2023, o esgotamento sanitário vai saltar de 27% até 32% para 68% até 72% com as obras da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Santa Maria.

No final do ano passado, o prefeito Kalil Baracat (MDB) esteve em Brasília formalizando o interesse de Várzea Grande em ter acesso a 168 milhões do PAC não liberado, sendo 83 milhões esgoto e 85 milhões para água e acredita que estes recursos consolidam a oferta tanto de água e esgoto para mais de 90% da população.