Comandante de batalhão da PM xinga professora que interrompeu palestra sobre militarização de escola em MT: ‘feia pra c*’

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Por g1 MT
Postagem em que o PM xinga a professora. — Foto: Reprodução/Rede social

O comandante do 9° Batalhão da Polícia Militar de Mato Grosso, Wanderson da Silva Sá, fez uma postagem nas redes sociais com xingamentos contra a professora Leliane Cristina Borges que protestava contra a militarização da Escola Estadual “Professora Adalgisa de Barros”, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá.

g1 entrou em contato com o comandante e com a corporação, que informaram que não irão se manifestar sobre o caso. Já a professora informou que viu a situação como machismo e racismo e irá registrar boletim de ocorrência contra o comandante.

O vídeo foi gravado na última segunda-feira (23), durante a assembleia geral sobre militarização na instituição. Na ocasião, o policial que aparece no vídeo explicava como funciona a mudança no sistema de ensino, quando Leliane o confronta, parando em frente a ele com os braços abertos.

O comandante Wanderson, que não aparece na gravação – postou o vídeo do momento em uma rede social pessoal e na legenda escreveu:

“Pra falar a verdade, passei todo dia vendo essas imagens e cheguei à seguinte conclusão: Ela quis prevalecer da sua condição de ser… feia pra c*, e o oficial não deu moral a ela”

Em outra parte do post, também escreveu: “Acho que o pai dela deveria ser trilhonário para pagar o dote dela”. Em seguida, parabeniza o policial que aparece no vídeo e diz que ele o representa.

A professora é vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintep) e integra o Conselho da Diversidade de Várzea Grande e o Conselho da Mulher de Mato Grosso e contou ao g1 que vê a postagem do policial machista e racista, já que o comentário dele não diz respeito ao contexto da situação vivida na audiência pública, mas, sim, à aparência dela.

“As minhas características físicas não eram o foco do debate. Ninguém estava discutindo se eu era feia. Ele usou de racismo por me olhar e dizer que sou feia, pois, na cabeça dele, existe um padrão de beleza e eu não estava nele”. , disse.

Leliane Borges também é conselheira do Conselho da Diversidade de Várzea Grande — Foto: Reprodução/Francisco Miguel Silva Alves
Leliane Borges também é conselheira do Conselho da Diversidade de Várzea Grande — Foto: Reprodução/Francisco Miguel Silva Alves
Contexto do vídeo

Ela relatou ainda que se posicionou à frente do policial que discursava na escola para protestar contra o fato de que os estudantes, que têm 16 anos, não poderiam votar para escolher sobre a militarização ou não da escola. Decisão que, para ela, não fazia sentido, já que eles podem votar nas eleições, por exemplo.

Na gravação, Leliane explicou que estava questionando sobre o porque dos alunos não poderem votar na assembleia, já que eles podem votar nas eleições gerais . Para ela, não fazia sentido essa decisão.

“Feia foi a atitude que eles tiveram de negar o protagonismo dos jovens naquela situação. Naquela sitação, era discutitiudo que a implantação era para o bem do jovem, mas estava sendo impedido de exercer seu protagonismo. Eu estava ali representando os estudantes para que eles conseguissem exercer o direito deles”, explicou.
Os presentes foram contrários ao processo de militarização da unidade.
O que diz o sindicato

Em nota, o Sintep informou que não é contrário à militarização das unidades de ensino, mas não concorda como o processo tem ocorrido em Várzea Grande, com recursos do desenvolvimento educacional e ferindo os princípios da gestão democrática. O g1 tenta contato com a Secretaria Estadual de Ensino (Seduc).

“Não aceitamos essa maneira desrespeitosa como o governo vem fazendo, tentando militarizar as escolas de forma arbitrária, sem dialogar com a comunidade (alunos, pais e profissionais da educação). O governo tem que entender que a escola não é o quintal de sua casa e muito menos um puxadinho de sua empresa. A escola é de todos, é da comunidade escolar e é ela quem decide qual rumo seguir”.

Quanto à atitude da professora Leliane diante do policial que palestrava, o sindicato afirmou que o fato se deu por conta do descumprimento do regimento interno da audiência e “por conta das imposicções que o governo vem implementando”.