Dois alvos em operação que investiga compra de cargos públicos estão foragidos; vice-prefeito e chefe de gabinete estão presos em MT

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Por g1 MT
Polícia Civil realiza operação nesta quarta-feira (29) — Foto: Polícia Civil

Os dois alvos da Operação Ápate, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (29), continuam foragidos. O vice-prefeito de Porto Esperidião, a 358 km de Cuiabá, Antônio Carlos Laudivar Ribeiro, e a chefe de gabinete da prefeitura também foram presos preventivamente.

Os foragidos, segundo a polícia, seriam o dono da empresa de concursos e o operador do esquema de fraude. A ação investiga a compra de cargos públicos.

A prefeitura informou que a equipe não vai comentar sobre o caso. O g1 tenta contato com a prefeitura de Mirassol D’Oeste e com a empresa contratada para administrar o concurso.

Ao todo, foram cumpridos 82 mandados, entre prisões, buscas, bloqueio de bens e suspensões de atividades econômicas e de cargo.

Investigação

Em 2020, a Prefeitura de Mirassol d’Oeste lançou um concurso público para cargos nos níveis fundamental, médio, técnico e superior. A vencedora para administrar o certame público foi a empresa Método Soluções Educacionais, com sede em Cuiabá, que realiza concursos para diversos órgãos públicos no estado.

No entanto, diante da pandemia da Covid-19, o concurso foi suspenso e retomado somente em 2021. As provas para os cargos de níveis fundamental, técnico e médio foram aplicadas conforme o calendário estabelecido. Já as provas de nível superior foram remarcadas para 27 de fevereiro de 2022. O resultado final do concurso foi publicado no dia 4 de maio daquele ano e o certame homologado no dia 11 do mesmo mês.

Conforme as investigações, no dia 21 de janeiro de 2022, antes mesmo da aplicação das provas, o operador do esquema já tinha a relação com os nomes de 35 aprovados.

Ordens judiciais

  • 4 prisões preventivas
  • 7 ordens de bloqueio de bens (valor aproximado de R$ 1,6 milhão)
  • 9 medidas cautelares de monitoramento eletrônico
  • 18 afastamentos de sigilos bancários
  • 1 suspensão de exercício cargo público
  • 5 suspensão de atividade econômica, entre elas a da empresa realizadora do concurso
  • 40 buscas domiciliares
Papéis no esquema

Um dos suspeitos operava o esquema e era responsável por intermediar a compra do gabarito, entre candidatos e o dono da empresa responsável pela realização do concurso. Ele é proprietário de uma empresa que presta serviços para prefeituras na região oeste do estado.

Outras pessoas envolvidas no esquema foram identificadas pela polícia, entre elas a chefe de gabinete da prefeitura e o vice-prefeito de Porto Esperidião. A investigação apontou que a mulher usou recurso público para pagar pela vaga no concurso para um familiar. Já o gestor público auxiliou o operador da fraude a fazer a troca dos gabaritos das provas do concurso.

A Justiça decretou as prisões preventivas do operador do esquema, do proprietário da empresa realizadora do concurso e da chefe de gabinete e do vice-prefeito de Porto Esperidião. A mulher também teve a suspensão do cargo determinada judicialmente.

Nome da operação

Ápate, na mitologia grega, era um espírito que personificava o engano, o dolo e a fraude. Narra a mitologia que Ápate foi um dos espíritos, junto com seu correspondente masculino, Dolos, o espírito das ardilosidades, que saiu da caixa de Pandora.

Apoiam a operação Ápate as unidades da Regional de Cáceres e de Pontes e Lacerda, Delegacia Especializada de Fronteira, Diretoria Metropolitana e Politec.