Pescadores fazem força-tarefa para retirar excesso de vegetação de rio em MT; especialista aponta risco

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Por Cleto Kipper e Rogério Júnior, TV Centro América e g1 MT
Pescadores retiram corixo de rio em MT — Foto: Cedida
Pescadores retiram corixo de rio em MT — Foto: Cedida

Um grupo de pescadores se organizaram em uma força-tarefa para retirar o corixo do mato no rio que liga as baías Ciá Mariana e Baía de Chacororé, em Barão de Melgaço, a 121 km de Cuiabá. Segundo eles, o mato tem atrapalhado a travessia de barcos e prejudicado o turismo local. Especialista ouvido pelo g1 contou que toda interferência ambiental deve ser precedida por estudos técnicos antes de ser executada.

O trabalho de limpeza no ambiente já dura três dias e não tem data para acabar.

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) informou, em nota, que repassou recursos para apoiar a ação dos pescadores, com objetivo de facilitar a navegação pela região.

De acordo com o pescador e piloteiro, Antonio Valdemar, o fenômeno é registrado por causa da cheia do Pantanal. Como a correnteza não é forte o suficiente, os moradores usam barcos a motor para empurrar a vegetação e desentupir a passagem.

“Estamos há 3 dias trabalhando no corixo, com 10 barcos. São pessoas da comunidade que estão preocupadas com a situação”, contou.

Riscos

O biólogo Abílio de Moraes explicou que a interferência no ambiente pode ser feita, mas desde que tenha sido previamente estudada por profissionais da área.

“A retirada do excesso de vegetação aquática às vezes é necessária para possibilitar a navegação do rio ou para conter uma proliferação de alguma espécie exótica e invasora. As intervenções são passíveis de acontecer, desde que sejam precedidas por um estudo técnico. Então, falar se isso está sendo benéfico ou não, precisa de um estudo para ser analisado com cautela”, contou.

A Baía de Chacororé é conhecida por ser um grande berçário da biodiversidade de peixes, anfíbios, répteis, aves, segundo o biólogo, além da conservação da água e do ecoturismo.