Mauro Mendes tenta agenda com Bolsonaro para “neutralizar” adversários

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Do: Olhar Direto
Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

O governador Mauro Mendes (União Brasil) articula para se encontrar com Jair Bolsonaro (PL) e buscar apoio do presidente da República para as eleições deste ano. A expectativa do governador é neutralizar adversários como Nilson Leitão (PSDB) e Emanuel Pinheiro (MDB), que aparecem como possíveis adversários na disputa.

A estratégia é a mesma daquela adotada na reunião com Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, e na reunião com Renata Abreu, presidente do Podemos, dois partidos com presidenciáveis. Desta vez, porém, Mendes tem a ajuda de Wellington Fagundes para marcar agenda com o presidente.

Wellington Fagundes tenta fazer a “ponte” entre o governador e o presidente por conta da relação azedada entre os dois. Wellington e Mendes entendem que o apoio “mútuo” é o cenário perfeito para a reeleição de ambos e que apesar de algumas divergências em suas bases de apoio seria arriscado para os dois qualquer cenário diferente disso. Por conta disso, a movimentação de Fagundes tem sido de tentar aproximar Mendes e Bolsonaro

O presidente tem ressalvas quanto ao atual governador de Mato Grosso por conta de alguns atritos que se acumularam no decorrer do mandato de Mendes. A equipe do governador espera contornar o problema com muita conversa e com a reaproximação entre os dois. A visita do ministro do Trabalho a Cuiabá, Onyx Lorenzoni, foi um marco do início dessa reaproximação.

Durante o evento na capital mato-grossense, Mendes disse em seu discurso para que Bolsonaro fosse avisado de que ele “nunca falou mal do presidente”. Pesquisas internas recebidas pelo governador indicam que pode ser muito arriscado ter como adversário um candidato apoiado por Bolsonaro e pior ainda: ser candidato à reeleição sem pelo menos tentar um diálogo com o presidente.

A tática de Mauro Mendes deve ser a mesma que tem se repetido em Mato Grosso desde que Bolsonaro foi eleito: qualquer bolsonarista pode ser candidato, desde que nenhum seja apoiado pelo presidente. Carlos Fávaro (PSD) conseguiu alcançar o Senado na eleição suplementar de 2020 utilizando exatamente esta técnica, quando bolsonaristas como Coronel Fernanda (PL), José Medeiros (Podemos) e até Nilson Leitão (PSDB) saíram derrotados, uma vez que tentaram, mas não conseguiram fazer como que o presidente aparecesse em seus “santinhos”.