Família denuncia que motorista foi isolado em ala de Covid-19 após diagnóstico errado no Pronto Socorro de VG

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Do: Olhar Direto
Foto: Edição/OD

Após quebrar a perna direita em um acidente, o motorista de caminhão José Antônio Dias de Brito, 51 anos, morador do bairro 7 de maio em Várzea Grande (região metropolitana de Cuiabá), tem enfrentado uma situação frustrante. Ele foi retirado do Pronto Socorro Municipal de Várzea Grande (PSMVG) pela família, após os familiares terem denunciado que o motorista havia sido isolado na ala de Covid-19 da unidade com um diagnóstico errado e, além disso, ter a cirurgia que aguardava na perna suspensa devido ao mesmo diagnóstico.

Teste deu negativo em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade. (Foto: Arquivo Pessoal)

A Prefeitura de Várzea Grande, por sua vez, diz que o exame para detectar o novo coronavírus faz parte do risco cirúrgico e que, agora, deve realizar novamente o mesmo procedimento e regular uma nova data para a cirurgia.

Ao Olhar Direto, a irmã do motorista relata que ele foi internado no último dia 22 de setembro e após passar 15 dias internado no Pronto Socorro Municipal de Várzea Grande (PSMVG) aguardando uma cirurgia, apontou positivo para o vírus da Covid-19 em um exame feito dentro da unidade hospitalar.

“Fizeram o exame dele na sexta-feira (1º)  pra ele fazer a cirurgia. Na segunda (4), ele testou positivo para Covid aí ele se desesperou e não esperou. Ele pediu pra sair de lá porque ele falava que não estava com Covid, que não tinha sintoma nenhum. Aí a esposa dele foi, tirou ele de lá”, conta Marilene Dias de Brito, 50 anos, irmã do caminhoneiro.

A família preferiu tirar o trabalhador do hospital por temer a piora do seu quadro. Mesmo com o diagnóstico, a irmã conta que José ainda fez outro exame para comprovar se, de fato, estava com o novo coronavírus. O teste feito em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) deu negativo e confirmou a suspeita da família.

“Nisso, que adiou a cirurgia, ele pegou o exame [que deu negativo] e levou lá no diretor do Pronto Socorro, [para ele] olhar que ele não estava com Covid e poder marcar a cirurgia dele. Aí, o diretor falou que não aceitava esse exame, só aceitava exame se fosse feito lá no Pronto Socorro”, relembra Marilene.

Nesse meio tempo, a irmã conta que a perna de José continua inchada, devido à necessidade da cirurgia. Ainda hoje, ela disse que o membro já apresentava um aspecto escurecido, que preocupa a família, por exemplo, com o risco de amputamento.

“Eu fico pensando assim, que falta de responsabilidade do Pronto Socorro. Porque se fizeram assim com meu irmão, quantas pessoas não devem ter feito isso, [devem] ter errado quantos exames. [Além disso] ainda isolaram ele lá junto com o pessoal com Covid”, relata a irmã revoltada.

À reportagem, Marilene conta que tem certeza que se não tivesse retirado o irmão da unidade, ele teria pego o novo coronavírus. Soma-se a isso, ainda, a preocupação pelo fato dele ter histórico de problemas no coração e reumatismo.

O que diz a Prefeitura de Várzea Grande 

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) da Prefeitura de Várzea Grande para entender o motivo da suspensão da cirurgia de José e a denúncia de um diagnóstico errado para o vírus da Covid-19. Por meio de nota, a pasta disse que fez um novo encaminhamento para a regulação da cirurgia do paciente, e que um novo teste para detectar o vírus da Covid-19 deve ser feito.

Leia a nota na íntegra

A Secretaria de Saúde de Várzea Grande fez o encaminhamento para a regulação do referido paciente visando a intervenção cirúrgica do mesmo. Todo o procedimento de risco cirúrgico e também quanto à COVID-19 será feito novamente até porque se trata de intervenção cirúrgica e exigências da OMS.