Mais de 100 trabalhadores morrem em acidentes de trabalho em 2022, diz Ministério Público do Trabalho

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Por Amábile Monteiro*, g1 MT
Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso (MPT-MT) — Foto: Divulgação

Mato Grosso registrou 107 mortes de trabalhadores com carteira assinada em 2022, conforme um levantamento feito pelo Ministério Público do Trabalho do estado (MPT-MT) e divulgado nesta semana. Ao todo, foram registrados 10,7 mil acidentes, sendo 130 a mais se comparado com 2021. Em 2003, foi instituído o dia 28 de abril como o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho, uma forma de manter viva a importância da prevenção e o cuidado durante o exercício do trabalho.

De acordo com a Distribuição dos Acidentes de Trabalho, Mato Grosso ocupa a 12° posição no ranking nacional de estados que mais contabilizaram Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), o que equivale a 2% dos 612,9 mil acidentes registrados em todo o Brasil durante esse período.

Entre as cidades do estado com mais registros estão:

  • Cuiabá, com 2.210;
  • Rondonópolis, com 880;
  • Sinop, com 775;
  • Lucas do Rio Verde, com 595;
  • Várzea Grande, com 533.
Samira Medeiros Ferreira sofreu o acidente em julho de 2022 e vai voltar para o trabalho depois de quase um ano  — Foto: Arquivo pessoal
Samira Medeiros Ferreira sofreu o acidente em julho de 2022 e vai voltar para o trabalho depois de quase um ano — Foto: Arquivo pessoal

A vendedora Samira Medeiros Ferreira, de 20 anos, contou ao g1 que quebrou o tornozelo esquerdo quando foi guardar materiais na loja que ela trabalha em Cuiabá. Segundo ela, o acidente ocorreu porque as luzes estavam apagadas.

“Estava muito escuro, nisso, acabei não vendo um degrau e pisei em falso, momento em que quebrei o osso do pé. A empresa fez os primeiros socorros, ligou para a ambulância, mas, quando os procurei para falar sobre como ficaria o pagamento e trabalho, alguns representantes até me bloquearam em um aplicativo”, disse.

Samira sofreu o acidente em julho de 2022 e ficou 10 meses sem poder trabalhar. Durante todo esse tempo, a empresa não concedeu nenhum tipo de auxílio, segundo ela. A vendedora, portanto, teve que recorrer ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

“No mês do acidente recebi apenas os dias trabalhados e, a partir de agosto, não recebi mais nada. Tentei conseguir algo pelo INSS, mas só consegui o retorno depois de um tempo, já que eles só me pagaram o salário mais benefício em fevereiro deste ano, ou seja, fiquei sete meses sem dinheiro algum”, contou.

A vendedora ainda teve que passar por três cirurgias. No acidente, ela quebrou o tornozelo em três partes, além de ter rompido um ligamento.

“O processo todo foi bem difícil para mim. Fiquei quatro meses sem dar movimento nenhum. Vou voltar para o trabalho logo e ainda não sei como vão ficar as minhas atividades dentro da empresa, já que antes eu vendia, era caixa e ainda fazia a limpeza quando precisava, agora mal consigo ficar em pé”, ressaltou.

De acordo com o procurador do Ministério Público do Trabalho, Bruno Lima, a empresa ou empregador deve fornecer um ambiente de trabalho capaz de garantir a segurança do trabalhador para que todas as atividades que lhes são pedidas sejam exercidas sem risco de perigo.

“A empresa deve, primeiramente, fazer um diagnóstico da atividade que ela exerce, de todas as etapas do processo produtivo, identificar todos aqueles fatores que podem, potencialmente, causar algum tipo de acidente e, a partir disso, propor implementar as providências adequadas para proteger a saúde do trabalhador”, explicou.

*Sob supervisão de Amanda Aquino