Relatório aponta 3 possíveis mortes de bebês por ‘superbactéria’ na Santa Casa em Cuiabá

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Por g1 MT
Bebês morreram no Hospital Estadual Santa Casa Cuiabá — Foto: Marcos Vergueiro/Secom-MT

Um relatório do Serviço de Prevenção e Controle de Infecção do Hospital Estadual Santa Casa, divulgado nesta sexta-feira (24), apontou três possíveis mortes de bebês devido à ‘superbactéria’ Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC), em fevereiro deste ano. Inicialmente, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) informou que foram cinco óbitos.

Conforme o documento divulgado, eram cinco crianças infectadas pela bactéria. Dessas, uma obteve alta médica, uma faleceu por outra causa e três óbitos estão sob investigação.

O governo informou que todos os pacientes eram prematuros de alto risco e apresentavam outras doenças de base.

“Os casos só foram identificados devido à atuação e rigorosidade do serviço de Prevenção e Controle de Infecção Hospitalar da unidade, que é composto por dois médicos infectologistas, duas enfermeiras e dois técnicos de enfermagem”, disse.

A situação, segundo o hospital, está controlada.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aponta que as infecções relacionadas à assistência à saúde afetam mais de 30% dos neonatos. No Brasil, estima-se que 60% da mortalidade infantil ocorra no período neonatal, sendo a sepse neonatal uma das principais causas apontadas pelo Sistema de Informação de Mortalidade (SIM).

Surto de ‘superbactéria’

Uma médica que atuou na Santa Casa durante o ‘surto’ da superbactéria foi ouvida pela reportagem e afirmou que, ao todo, nove bebês estavam infectados e que quatro morreram em decorrência da bactéria.

Segundo ela, uma bebê infectada deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e, em seguida, a bactéria se espalhou.

“O hospital foi em busca de medicamentos para tratar do surto. Os bebês foram tratados com o antibiótico que foi comprado. Cinco foram curados, inclusive o bebê que trouxe a bactéria, mas quatro morreram em menos de uma semana. A bebê que trouxe a bactéria morreu por outra doença”, explicou.

Klebsiella pneumoniae faz parte de categoria 'crítica' das bactérias contra as quais o desenvolvimento de novos remédios é mais urgente, segundo lista da OMS — Foto: Divulgação
Klebsiella pneumoniae faz parte de categoria ‘crítica’ das bactérias contra as quais o desenvolvimento de novos remédios é mais urgente, segundo lista da OMS — Foto: Divulgação
KPC

A KPC faz parte de um grupo de bactérias “multirresistentes” – conhecidas popularmente como “superbactérias”. Esse tipo de bactéria é imune à maior parte dos antibióticos comuns, e precisam ser enfrentadas com remédios muito mais fortes. Em 2017, ela foi colocada na categoria “crítica”, a mais preocupante, em uma lista da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ao longo do tempo, classes de bactérias comuns – Klebsiella e Escherichia, por exemplo – “aprenderam” a produzir enzimas que inativam a ação dos medicamentos convencionais. Com isso, o tratamento se tornou mais caro e difícil, exigindo o uso de antibióticos de maior impacto.

Além das enzimas, as superbactérias podem se desenvolver a partir da transmissão de plasmídeos, que são fragmentos de material genético (DNA) passados de um micro-organismo a outro. Esse “conhecimento compartilhado” é absorvido pelas diferentes classes de bactérias, espalhando a característica de maior resistência entre diferentes grupos.

Infecções causadas por ela são mais comuns em hospitais. Nas unidades de saúde, a propagação acontece principalmente no contato com fluidos do paciente infectado, como por meio de sondas e cateteres.