Mais de 2,3 mil obras estão paradas em MT e moradores ficam sem acesso à serviços

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Por Camila Freitag, TV Centro América

Um levantamento da Secretaria de Controle Externo de Obras e Infraestrutura do Tribunal de Contas do Estado aponta que 2.336 obras estão paralisadas em todo o estado. Quase metade delas está concentrada em 20 dos 141 municípios.

Segundo o TCE, Cuiabá e Várzea grande são os municípios que têm mais obras paradas.

Postos de saúde inacabados e centenas de famílias obrigadas a procurar atendimento médico longe de casa são situações comuns na região.

Obras paradas em Cuiabá e Várzea Grande  — Foto: Reprodução
Obras paradas em Cuiabá e Várzea Grande — Foto: Reprodução

Ainda de acordo com o levantamento, Várzea Grande lidera o ranking de obras atrasadas em Mato Grosso. São 122 construções paralisadas.

A maior parte é para serviços coletivos, como transporte, educação e saúde, setores que afetam diretamente a rotina de quem vive por aqui.

No bairro Santa Clara, por exemplo, os moradores relatam que há anos esperam pela conclusão daquela que seria a única unidade básica de saúde do bairro. No entanto, mesmo com as paredes erguidas e até água instalada, o local está abandonado.

Mais de 2 mil obras estão paralisadas em MT — Foto: Reprodução
Mais de 2 mil obras estão paralisadas em MT — Foto: Reprodução

“Dá tristeza quando olho para o prédio e vejo o jeito que está”, diz Cristina Pedreira da Silva Castilho, autônoma e moradora da região.

A técnica em Saúde Bucal, Suelen Moras Santos, também lamenta o abandono.

“Os moradores precisam muito e têm que se deslocar para longe para ter acesso ao serviço de saúde”, diz.

Ingrid Raim Soares da Cruz é uma delas. A estudante deu à luz ao filho Lorenzo, há 11 meses. Desde então, precisa caminhar no sol por mais de dois quilômetros para conseguir o atendimento básico de saúde para o o menino, em outro bairro.

Ingrid Raim precisa caminhar no sol por mais de 2 km para conseguir atendimento  — Foto: Reprodução
Ingrid Raim precisa caminhar no sol por mais de 2 km para conseguir atendimento — Foto: Reprodução

“Às vezes o menino fica enjoado porque toma vacina e aí pega sol e isso não faz bem pra”, relata.

Ainda em Várzea Grande, a unidade de saúde do Bairro São Matheus também está parada. Segundo a Secretaria de Saúde, o problema é que a empresa responsável pela execução do serviço abandonou as duas obras, que estão com 70% e 80% concluídas.

Foi preciso reincidir o contrato.

A capital Cuiabá também aparece entre os municípios de destaque e ocupa a segunda posição do ranking, com 86 obras atrasadas ou paralisadas, segundo o TCE. No Bairro CPA IV, uma placa indica que a obra de uma unidade está na terceira etapa.

O engenheiro da obra, Jone Armando, conta que ainda tem o prazo de 11 meses para finalizá-la e diz que a paralisação foi por causa da pandemia. A obra foi retomada no final do ano passado, mas, segundo Jose, por causa das festividades, o ritmo foi lento.

João Piana de Oliveira, ex-presidente da associação de moradores do CPA IV, defende que precisam logo de uma nova unidade de saúde, pois atualmente apenas uma médica atende toda a região.

Em nota, a Prefeitura de Cuiabá informou que a obra do CPA IV foi herdada com 28% de execução e já avançou para 65%. Segundo a prefeitura, a entrega está prevista para este ano, ainda.

Moradores cobram conclusão de obras — Foto: Reproduçãõ
Moradores cobram conclusão de obras — Foto: Reprodução

Já em relação à quantidade de obras citadas pelo TCE, a Secretaria de Saúde informou que a situação das obras elencadas está desatualizada devido a problemas de acesso ao sistema e necessidade de capacitação de corpo técnico da diretoria de obras para o uso da ferramenta e, que já atua, para garantir o treinamento dos profissionais junto ao TCE.

Já a Prefeitura de Várzea Grande afirma que muitas destas obras foram retomadas.

“Para retomar algumas dessas obras, os processos foram saneados, ou seja, aqueles que tinham apontamentos pela controladoria, foram corrigidos. Em outros casos, foram necessárias novas licitações e isto, dependendo da obra, como aquelas com recursos federais, levam em média de 90, 120 até 180 dias até concluir processo de licitação”, diz trecho da nota.

Na questão das CMEIs e dos residenciais, houve outro problema, segundo o município: a recuperação judicial das empresas vencedoras do processo licitatório, que levou pelo menos a 65 obras a serem paralisadas, encerradas e uma nova licitação teve que ser realizada.

Além disso, o município também cita a pandemia da Covid-19 como outro ponto.