Oito mandantes e executores da morte de jovem de SP após fazer gesto associado a facção em festa são presos em MT

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Por g1 MT
Pablo Ronaldo dos Santos, de 23 anos — Foto: Reprodução

Oito mandantes e executores da morte de Pablo Ronaldo dos Santos, de 23 anos, após o jovem fazer um gesto com as mãos durante uma festa, foram presos pela Polícia Civil nesta terça-feira (27). Um dos mandados foi cumprido contra uma servidora pública de Nova Ubiratã, a 506 km de Cuiabá, cidade onde o crime ocorreu. A ação faz parte da Operação Procusto.

g1 entrou em contato com a Prefeitura de Nova Ubiratã, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Pablo e outro colega de trabalho estavam em um bar do município, quando foram abordados e sequestrados. Os dois são do interior de São Paulo e viajaram para Mato Grosso a trabalho.

Segundo a Polícia Civil, seis pessoas foram presas. Outros dois mandados de prisão foram cumpridos contra dois investigados que estão na Penitenciária Central do Estado (PCE) e na Cadeia Pública de Nobres.

Também foram cumpridos outros cinco mandados de busca e apreensão. As Delegacias de Sorriso e de Nobres, Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Cuiabá, Polícia Militar de Nova Ubiratã e a unidade do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) de Sorriso apoiaram o cumprimento das ordens judiciais.

Alvos da investigação
Pablo Ronaldo dos Santos, de 23 anos, foi sequestrado junto com colega — Foto: Redes sociais
Pablo Ronaldo dos Santos, de 23 anos, foi sequestrado junto com colega — Foto: Redes sociais

Segundo as investigações, os crimes foram ordenados por um criminoso que está detido na PCE. De dentro da unidade, ele recebia as informações dos outros integrantes do grupo que estavam monitorando Pablo e o amigo desde quando eles chegaram em Nova Ubiratã.

Informações reunidas no inquérito apontam que o sequestro foi premeditado para torturar as vítimas a fim de que confessassem integrar uma facção criminosa rival.

O grupo se reportava ao mandante preso na PCE, que gerenciou tudo de dentro da cela e acompanhou o crime, recebendo fotos das vítimas amarradas durante as sessões de tortura. Ele ordenou que não era só para arrancar os dedos das vítimas, mas também para executá-las.

De acordo com a polícia, entre os alvos da operação também está uma mulher, funcionária da educação no município de Nova Ubiratã. A Polícia Civil apurou que ela atuou diretamente na execução dos crimes, mandando que as vítimas fossem mutiladas.

Ela teria auxiliado também no transporte das vítimas até o local da execução e, após conversar com um comparsa preso, passou a defender que as vítimas fossem executadas.

Segundo a polícia, a servidora abandonou o trabalho na escola municipal para gerenciar a tortura. Um dia após o sequestro, ela e outro comparsa teriam recebido uma ligação do preso da PCE com a ordem final para execução das vítimas.

A polícia disse que após a ordem, a mulher demonstrou preocupação em utilizar o veículo dela para transportar as vítimas e disse que o carro é conhecido na cidade e é utilizado pela mãe dela. Foi arranjado outro veículo com dois criminosos, que saíram de Sorriso (MT), para dar apoio ao crime, e levar as vítimas até o local onde seriam executadas.

Segundo as investigações, ao saber que receberiam apoio de um carro desconhecido, a mulher comemorou a impunidade dizendo que não teria como a polícia ficar sabendo do crime. Na mesma conversa, a investigada teria implorado para sair da condição de participante dos homicídios para assumir a autoria.

A Polícia Civil informou que quando a mulher enviou as mensagens aos executores dos crimes, ela estava de volta ao trabalho, em uma escola da cidade. As mensagens foram enviadas de dentro de uma sala de aula onde ela atuava como auxiliar de educação infantil.

Sequestro e tortura

Pablo Ronaldo e o amigo foram abordados por quatro investigados, dentro de um bar, na noite de 19 de abril. Os suspeitos conduziram então as vítimas ao cativeiro, onde iniciaram a sessão de tortura que durou toda a madrugada. Um adolescente também participou dos crimes e é investigado em procedimento autônomo.