Suspeitos de integrar grupo que atacou Confresa (MT) fizeram família refém por mais de 8h antes de morrerem em confronto com a PM

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Por Marco Túlio Câmara e Ana Paula Rehbein, g1 Tocantins e TV Anhanguera
Policiais da Operação Canguçu estão na cidade de Marianópolis — Foto: Ana Paula Rehbein/TV Anhanguera

“Faz dias que a gente não tem paz nessa Marianópolis”. Esse é o relato de uma moradora do setor Jardim dos Ipês, na cidade do sudoeste do Tocantins. A família vizinha dela ficou mantida refém por oito horas neste domingo (30) por suspeitos do grupo criminoso que atacou Confresa (MT) no dia 9 de abril e fugiu para o interior do Tocantins no dia 10.

De acordo com a Polícia Militar, os assaltantes invadiram a casa às 6h da manhã. Os militares chegaram ao local por volta das 15h. A vizinha da família, que não quis ser identificada, comenta como foi o dia.

Estava tudo calmo. Dormimos, acordamos… meu filho especial estava rodando ali pra fora e de repente ele entrou e falou: mãe, Polícia, Polícia! Aí eu saí até a porta da cozinha e eu já topei de cara com a Polícia mesmo. Eles falaram assim: minha senhora não fica na porta, entre para dentro todo mundo, fecha a casa e fica quietinha dentro, se possível deitado no chão. Vai haver tiros, porque os bandidos estão na casa ao lado aqui. A gente entrou e de repente a gente só escutou tiro, tiro. Não sei quem estava tirando, mas tiro foi demais, em um minuto foi muito tiro — relatou a moradora.
Os tiroteios intensificaram nos últimos dias. Com patrulhamento intenso, os confrontos registrados acontecem quando os policiais desvendam o paradeiro dos suspeitos. Apesar do cerco policial reforçado, a sensação de insegurança ainda é grande na região.

“Não se dorme direito com medo de eles chegarem e abordar, né? A sorte nossa que tem muita Polícia. Todo mundo está com medo de sair de casa. Aqui não pode sair assim, não, porque é perigoso, muito perigoso encontrar com eles. Aí eles botaram a pessoa de refém, né? É muito perigoso, a gente não pode ficar saindo”, conta a moradora da cidade.

Em dois dias, seis assaltantes foram mortos. Os últimos confrontos aconteceram entre uma fazenda e o Centro de Pesquisa da UFT, perto da Ilha do Bananal. O comandante do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) de Mato Grosso, coronel Frederico Lopes, comenta como foi essa operação.

“Recebemos uma informação da comunidade local de um possível paradeiro de cinco criminosos e tentamos localizá-los. Em um dado momento, eles toparam com a guarnição da força tática e se iniciou uma intensa troca de tiros. Localizamos mais um na mata e teve mais troca de tiros, e mais um foi alvejado. Ambos foram socorridos para o Pronto Socorro de Marianópolis, entretanto lá no local, foi constatado o óbito de ambos”, relata o comandante. A ação contou com o apoio da ROTAM do Tocantins e da força tática de Mato Grosso.

Desde o início das buscas, há três semanas , 15 assaltantes morreram e dois foram presos. Nos últimos confrontos, novas armas foram e já tiveram a origem identificada. “A gente sabe que são assaltantes muito agressivos, de grande periculosidade e com grande poderio bélico”, comenta o comandante do 8º Batalhão da Polícia Militar, major Adson Acácio Pimentel.

Um fuzil belga calibre 762 era de uso exclusivo da PM de São Paulo e foi furtado em novembro de 2021, em Santos, litoral paulista. “Esse fuzil foi subtraído em um dos assaltos de domínio de cidade no interior de São Paulo. Então, nós acreditamos que a maioria dos bandidos pertence ao estado de SP. É claro que todas as investigações estão sendo feitas, porque nós, inclusive, sabemos que um dos elementos pertence ao estado do Maranhão, mas tudo leva a crer que a sua grande maioria pertence ao estado de SP”, afirma o comandante-geral da PM/MT, coronel Alexandre Mendes.

Fuzil belga é utilizado pela Policia Militar de São Paulo — Foto: Divulgação
Fuzil belga é utilizado pela Policia Militar de São Paulo — Foto: Divulgação
O trabalho das buscas recebe auxílio da população local. Além de denúncias, também ajudam com alimentos e hospedagem. Contribuição reconhecida pela Polícia. “Estamos conseguindo checar todas as informações que nos são trazidas e a comunidade local que tem contribuído e muito com essas informações. A comunidade está realmente nos proporcionando uma efetividade em nossa Operação”, comenta o comandante Frederico.