Ataque em Confresa (MT): moradora que teve casa destruída relata momento das explosões: ‘forro foi caindo na gente’

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Por Gustavo Nolasco e Kessillen Lopes, TV Centro América e g1 MT
Luzia Ayme Alves dos Santos protegeu o bebê enquanto o forro da casa desabava — Foto: TVCA/reprodução

A moradora Luzia Ayme Alves dos Santos relatou o momento em que teve a casa destruída e alvejada por tiros durante os ataques à Confresa, a 1.160 km de Cuiabá, no dia 9 de abril. Ela afirmou em entrevista exclusiva exibida no Fantástico desse domingo (7) que pediu aos criminosos que a deixassem sair da casa com os quatro filhos, pois o imóvel estava desabando.

Durante o ataque, o bando, armado com fuzis, atacou a base da Polícia Militar, explodiu as paredes de uma empresa de transporte de valores e aterrorizou moradores.

“Estava pegando uma mamadeira para o meu bebê e, quando cheguei na cozinha, senti o baque do tiro na janela. Até achei que fosse bombinha. Corri para pegar o neném e aí foi mais um tiro. A janela já soltou e eu saí agachada e gritando”, contou.

Segundo Luzia, enquanto protegia o bebê com o próprio corpo, gritou para que as outras crianças que estavam na casa também se deitassem no chão.

“Escutamos a bomba e o forro já foi caindo na gente. Eu achei que era a polícia. Saí agachada com o neném e as crianças atrás. Quando cheguei no portão, estava tendo um tiroteio. Ergui as mãos e gritei para que deixassem eu sair com meus filhos, que a casa estava desmoronando. Só gritaram: ‘pega essa reta e não olha para trás’. Deixamos o portão aberto e corremos”, relatou.
Marcas de tiro nas paredes e destroços do teto espalhados pela casa — Foto: TVCA/reprodução
Marcas de tiro nas paredes e destroços do teto espalhados pela casa — Foto: TVCA/reprodução

A moradora teve ferimentos na perna e nas costas, o que a deixou com dificuldades de andar durante algumas semanas. O bebê dela teve um machucado no olho. Já as outras três crianças saíram ilesas.

“Estou até agora sem saber o que falar, o que pensar. Foi muito difícil. Só agradecer a Deus, porque eu e meus filhos estamos vivos, só isso, mais nada”, pontuou.
Operação Canguçu

As buscas no Tocantins começaram no dia 10 de abril, depois que os criminosos fugiram de Mato Grosso e entraram no Tocantins usando embarcações e navegando pelos rios Araguaia e Javaés. Eles até tentaram afundar barcos para despistar as equipes policiais. São mais de 300 policiais de cinco estados.

Mesmo durante a fuga os criminosos têm deixado um rastro de terror, invadindo propriedades e fazendo pessoas reféns. Áudios divulgados nas redes sociais mostram o medo dos moradores em Marianópolis do Tocantins.

Nos últimos dias foram encontrados rastros dos criminosos, como espigas de milho e sapatos velhos próximo da região do povoado Café da Roça, na zona rural de Pium. Também foi encontrado sal com ureia, que serve para alimentação de bovinos, e estaria servindo de alimento para os fugitivos.

Criminosos estariam se alimentando de espigas de milho, diz PM — Foto: Divulgação
Criminosos estariam se alimentando de espigas de milho, diz PM — Foto: Divulgação

Os suspeitos ainda estariam usando sacos amarrados aos pés, para tentar não deixar pegadas por ponde passam. Estratégia que foi descoberta com a morte de um dos suspeitos.

As equipes que fazem parte da Operação Canguçu percorrem uma área de 4,6 mil km, em quatro cidades. Um verdadeiro arsenal de guerra foi apreendido durante a operação. Entre as apreensões estão armamento de grosso calibre, inclusive fuzis furtados da PM de São Paulo, milhares de munições, coletes à prova de bala e outros materiais.