Trump chega ao tribunal criminal de Nova York para primeira audiência

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Com indiciamento formal, Donald Trump se torna o primeiro ex-presidente dos EUA a responder um processo criminal na história do país
Ana Flávia Castro – Metrópoles
Jabin Botsford/The Washington Post via Getty Images

Donald Trump compareceu ao Tribunal Criminal de Manhattan, em Nova York, na tarde desta terça-feira (4/4), para responder às acusações envolvendo o caso de suborno a uma atriz pornô e um suposto esquema de falsificação de registros. Com o indiciamento formal, o republicano é o primeiro ex-presidente dos Estados Unidos a responder a um processo criminal na história do país.

O bilionário se apresentou às autoridades às 13h24 no horário local (14h24 de Brasília). Trump fez o trajeto em um comboio de sete veículos pretos escoltados por uma viatura policial. Em seguida, Trump realiza os procedimentos para ser incluído no sistema de Justiça norte-americano: terá suas digitais colhidas e será fotografado. Segundo o advogado dele, Joe Tacupina, o ex-presidente não será algemado, após a equipe de defesa fechar acordo com a Promotoria de Nova York.

A primeira audiência no caso está prevista para as 14h15 no horário local (15h15, horário de Brasília). Segundo os trâmites legais, é nesta etapa que as denúncias serão formalmente divulgadas pela promotoria, e haverá um espaço para o investigado responder se é ou não culpado das acusações. Segundo a defesa de Trump, o republicano irá se declarar inocente.

Após o indiciamento formal, Trump deve retornar à Flórida e fará pronunciamento em Mar-a-Lago, à noite. O ex-presidente nega qualquer suspeita de irregularidade eleitoral e deve reforçar o discurso de perseguição política, ao afirmar que as acusações são “falsas” e “vergonhosas”.

O local foi ocupado por manifestantes de ambos os lados. Grupos em defesa do ex-presidente dividem espaço com cidadãos norte-americanos que cobram a responsabilização dele na Justiça e pedem a prisão do bilionário.

Para garantir a segurança da cidade, autoridades de Nova York reforçaram a presença policial desde domingo. Após Trump afirmar que seria preso e convocar protestos, o Departamento de Polícia de Nova York ergueu barreiras de metal ao redor da Trump Tower. Além disso, a polícia bloqueou as vias próximas ao tribunal onde Trump se apresentará.

A investigação aponta que Trump teria pagado pelo silêncio da atriz pornô Stormy Daniels, na tentativa de encobrir um suposto caso extraconjugal com ela. O valor teria sido maquiado por meio de transações realizadas por Michael Cohen, ex-advogado de Trump, e entregue dias antes de eleição presidencial vencida pelo republicano em 2016.

Em 2018, Stormy Daniels publicou um livro no qual descreveu o suposto caso. Eles teriam se conhecido em um torneio de golfe beneficente, em 2006. A esposa de Trump, Melania, não estava no evento e tinha acabado de dar à luz. O ex-presidente nega ter feito o pagamento ou ter tido relações com a mulher.

Um pagamento em compensação de acordo de confidencialidade não caracteriza infração criminal Estados Unidos. Contudo, a transação teria sido um mês antes das eleições presidenciais e teria figurado nas contas eleitorais, o que poderia ser considerado uma violação de campanha.

O foco da apuração, porém, não é puramente o pagamento que teria sido feito à atriz. Os promotores investigam os reembolsos feitos pela Organização Trump para o advogado Michael Cohen e possíveis falsificações de registros comerciais, o que é considerado crime. Cohen cumpriu três anos de pena após condenação, em 2018, por irregularidades como evasão de impostos e irregularidades no financiamento de campanha.

Donald Trump é pré-candidato nas eleições de 2024 e o processo poderá atrapalhar a campanha eleitoral junto ao Partido Republicano. Na tentativa de influenciar os eleitores, o ex-presidente chama as diversas investigações contra ele de “caça às bruxas” e se coloca como vítima de perseguição política e do sistema judiciário norte-americano.

 

Outros inquéritos

O incorporador imobiliário e ex-apresentador de reality shows também é alvo de outras investigações. Uma delas, que corre na Georgia, apura a suposta tentativa de Trump e aliados de manipular o resultado das eleições presidenciais de 2020, quando o republicano perdeu no estado para o rival democrata Joe Biden.

Uma investigação federal conduzida pelo Departamento de Justiça dos EUA investiga o caso dos documentos sigilosos encontrados no resort de Mar-a-Lago, onde Trump vive. O ex-presidente guardava papéis confidenciais mesmo após ter deixado a Presidência.

Trump também pode ser responsabilizado pela invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Na ocasião, o ex-presidente inflamou apoiadores, que invadiram e depredaram a sede do Legislativo americano contra o resultado das eleições.