Quase metade do território mato-grossense foi destruído pelo fogo em quase 4 décadas

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Por Kessillen Lopes, g1 MT
Uma das fotografias da exposição o “Último Jardim” retrada queimadas — Foto: Wank Carmo/Divulgação

Mato Grosso foi o estado que mais queimou entre 1985 e 2022, conforme um levantamento divulgado pelo MapBiomas, nesta quarta-feira (26), baseado em imagens via satélite. O estudo aponta que o estado teve 43,2 milhões de hectares destruídos pelo fogo no período, o que representa 47,8% do território mato-grossense.

Pará e Maranhão aparecem logo em seguida, com 27,5 milhões e 18,2 milhões de hectares devastados, respectivamente.

No recorte dos municípios, CocalinhoParanatingaVila Bela da Santíssima Trindade e Cáceres estão entre os 10 que mais queimaram. Nessa ordem, a área destruída em cada uma dessas cidades foi de 11.404 km², 11.123 km², 9.346 km², e 8.397 km².

De acordo com o MapBiomas, embora os grandes picos de área queimada no Brasil tenham ocorrido principalmente em anos impactados por eventos de seca extrema, altas taxas de desmatamento tiveram um grande impacto no aumento da área queimada nesses períodos.

Em todo o país, 85 milhões de hectares foram devastados pelo fogo. A extensão representa a soma de toda a área da Colômbia e do Chile. Conforme o levantamento, a estação seca, entre julho e outubro, concentra 79% dessas queimadas e incêndios no país.

A área afetada pelo fogo varia entre os seis biomas brasileiros. No quadro geral, quando comparamos o percentual de área consumida pelas chamas em relação à área do bioma, Pantanal e Cerrado são os primeiros. Já quando o índice leva em conta o total de área queimada, Amazônia e Cerrado lideram, com 80,95 e 79,2 milhões de hectares (Mha) queimados, respectivamente.

Aumento das queimadas em MT

Somente de janeiro a dezembro de 2022, foram registrados mais de 3,5 milhões de hectares devastados em Mato Grosso, segundo dados do Monitor do Fogo do MapBiomas. Em comparação com o mesmo período de 2021, a área incendiada aumentou 7%.

O governo de Mato Grosso afirma ter investido mais de R$ 60 milhões no combate aos crimes ambientais, incluindo os incêndios florestais em 2022. Além disso, investiu em tecnologia com o Centro de Monitoramento, compra de equipamentos, caminhões e aeronaves, além de aplicar mais de R$ 180 milhões em multas por uso irregular do fogo.

Apesar disso, segundo a pesquisa, o estado teve 1,2 milhões de hectares queimados em áreas de florestas e outros 1,2 milhões em formações naturais.

Setembro foi o mês com o maior número de queimadas, com quase 1,4 milhões de hectares. Depois, os maiores registros foram em agosto, com 650 mil hectares, e outubro, com cerca de 600 mil hectares.