Policial penal diz que foi torturada após denunciar colega de trabalho por importunação sexual em MT

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Por Luiz Vieira, TV Centro América e g1 MT
Segundo a vítima, os casos de importunação sexual aconteceram na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá — Foto: Governo de MT/Divulgação

Uma policial penal registrou boletim de ocorrência e relatou que foi torturada por instrutores do Grupo de Intervenção Rápida (GIR) por ter denunciado um caso de importunação sexual sofrido por ela na Penitenciária Central do Estado (PCE) e cometido por um colega de trabalho. A vítima fazia o Curso de Intervenção Rápida em Recinto Carcerário (CIRC), em Cuiabá, quando ocorreram as sessões de tortura, segundo ela.

A policial penal contou que suspeito teria passado a mão no corpo dela e também a espionado tomando banho. Em um outro momento, também consta no boletim de ocorrência, ele contou que o suspeito abriu a janela para olhar seis mulheres que trocavam de roupa. Depois disso, elas teriam sido coagidas a não comentar os episódios de importunação.

A Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp-MT) informou, por meio de nota, que já determinou a imediata suspensão do curso da Polícia Penal e que vai instaurar um procedimento administrativo para apurar a denúncia. Segundo a Sesp, a Polícia Civil também abriu um inquérito para investigar o que aconteceu e, até o momento, duas pessoas foram interrogadas.

A vítima contou ainda que, durante exercícios de flexão, teve as mãos pisadas e diziam que ali não era lugar para ela que deveria estar “na cozinha, lavando vasilha”. Além disso, a policial penal teve gás lacrimogêneo jogado diretamente nos olhos e na boca.

Ela também relatou que jogaram anilhas do gás dentro de uma barraca onde ela trocava de roupa e que, quando tentava sair para respirar, os instrutores falavam para ela: “Bate o sino e sai do curso. Seu lugar não é aqui. E vai lavar vasilha”, consta no boletim de ocorrência.

Em outro momento, levaram a vítima vendada até uma sala, onde começaram a piscar uma lanterna nos olhos dela e disseram “Você quer prender seu irmão de farda? Conta para nós o que você registrou no boletim de ocorrência” e a pressionavam a desistir do curso.

Quando a policial errava os comandos, os instrutores a faziam correr em volta da turma e a chamavam de “burra”. Tal punição, conforme a denúncia, não acontecia com outros alunos.

Por fim, ela foi colocada em uma viatura, onde estavam três homens e uma mulher. Eles disseram para ela que a levariam para a Agrovila, momento em que ela abriu a porta e pulou do veículo por “receio de sofrer mais agressões”.

A policial, ainda conforme o boletim de ocorrência, conseguiu pedir ajuda em uma casa e ligou para família, que a buscou. Ainda consta no documento que os policiais que estavam na viatura também foram até o local e disseram que ela estava em surto psicótico.

As investigações estão em andamento.