Estudante de MT diz que foi proibida de levar bebê à aula e registra boletim de ocorrência; Seduc afirma que denúncia ‘não condiz com a verdade’

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Por Amábile Monteiro*, g1 MT
A estudante explicou que não tem com quem deixar a filha, por isso a levou à escola. — Foto: Arquivo pessoal/cedida

A estudante Stefany Stella Prestes, de 18 anos, procurou a Polícia Civil e registrou um boletim de ocorrência nesta terça-feira (7), depois de, segundo ela, ser proibida pela direção da Escola Estadual Juarez Rodrigues dos Anjos, em Cuiabá, de levar a filha recém-nascida durante as aulas.

A Secretaria Estadual de Educação (Seduc), em nota, informou que “o fato narrado pela estudante não condiz com a verdade”, que ela saiu da unidade de ensino naquele dia em apoio a alunos que estavam sem uniforme, e que desenvolve programa de acolhimento às alunas que são ou se tornam mães (leia mais abaixo).

Ao g1, Stefany, que está no primeiro ano do ensino médio, contou que foi abordada durante o intervalo da aula, quando a coordenadora orientava as estudantes sobre as roupas que estavam usando e a falta de uniforme.

“Ela passou levando as meninas que estavam de shorts. Nisso, ela me viu e também me levou, só que por causa da minha filha. Ela me falou que não era mais para eu estudar e que eu não poderia mais assistir às aulas com a bebê em sala, por conta dos professores estarem reclamando das mães que estavam levando os filhos para a escola”, disse.

A estudante explicou que não tem com quem deixar a filha, já que o esposo trabalha no momento em que ela está na escola.

“Eu entrei na escola há cerca de uma semana e não posso deixá-la sozinha, porque estou amamentando. Eu voltei na escola logo depois que registrei o boletim de ocorrência contra a diretora. Quando mencionei que tinha procurado a polícia, ela começou a desmentir tudo o que tinha falado antes, até me disse que eu poderia, sim, estudar com a bebê e que não tinha me proibido de nada”, relatou.

Fora da escola, as estudantes gravaram um vídeo em que Stefany aparece com um carrinho de bebê.

“Na vida, eu nunca vi uma menina ter que desistir dos sonhos e do futuro dela porque tem uma bebê pequena”, refletiu.

Em nota, a Seduc ressaltou que é prática da rotina escolar acolher e apoiar todas as mães para que jamais interrompam os estudos.

“O que houve, de fato, foi a orientação para que duas estudantes vestissem as suas camisetas do uniforme. Elas não aceitaram e saíram para fora da unidade com apoio da estudante que é mãe e que estava, inclusive, uniformizada. Tanto é que o vídeo apenas narra uma história na versão delas e sem qualquer registro da direção solicitando a saída de aluna do ambiente escolar, como alegam”, disse a secretaria.