Fevereiro ainda não acabou, mas alertas de desmate na Amazônia batem recorde para o mês

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Por g1
Os alertas são feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que produz sinais diários de alteração na cobertura florestal para áreas maiores que 3 hectares (0,03 km²) — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Fevereiro ainda não terminou e os alertas de desmatamento na Amazônia Legal já bateram recorde para o mês.

(O Inpe disponibiliza às sextas-feiras os dados da semana anterior. Os números do mês de fevereiro estarão fechados na próxima semana, em 3 de março).

Os dados, divulgados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam que 209 km² foram desmatados até o dia 17 de fevereiro – a maior marca para o mês em toda a série histórica, iniciada em 2015.

“O aumento da área desmatada nos primeiros dias de fevereiro deve ser interpretado com cautela. Tivemos um aumento de nuvens em janeiro e o Deter pode estar detectando em fevereiro desmatamentos que ocorreram no mês passado“, alerta Daniel Silva, especialista em Conservação do WWF-Brasil.

Os alertas são feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que produz sinais diários de alteração na cobertura florestal para áreas maiores que 3 hectares (0,03 km²) – tanto para áreas totalmente desmatadas como para aquelas em processo de degradação florestal (por exploração de madeira, mineração, queimadas e outras).

A Amazônia Legal corresponde a 59% do território brasileiro, e engloba a área total de 8 estados (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) e parte do Maranhão.

Por enquanto, os estados que mais desmataram em fevereiro são Mato Grosso (129 km²), Pará (34 km²) e Amazonas (23 km²).

Queda em janeiro deve ser vista com cautela

Em janeiro, o acumulado de alertas de desmatamento foi de 167 km², uma queda de 61% em relação ao mesmo período de 2022.

No entanto, Daniel Silva ressaltou que ainda era cedo para falar sobre uma reversão de tendência, já que parte da queda poderia estar relacionada com uma maior cobertura de nuvens no período.

“A queda observada nos dados de desmatamento, em janeiro, deve ser interpretada com cautela, pois a cobertura de nuvem registrada nesse período é a maior dos últimos seis anos para o início do ano. A cobertura de nuvem pode aumentar o tempo de detecção pelo sistema DETER que usa imagens de satélites com sensores ópticos”, disse.

“É possível, por exemplo, que mais desmatamento tenha ocorrido, mas será registrado somente nos próximos dias ou semanas, quando esse cenário será menor”.
Desmatamento nos próximos meses

Para Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, a queda nos números de desmate deve ser vista nos próximos meses.

“É óbvio que em janeiro/fevereiro não veríamos nos números de alerta a ação do governo. Ele está começando a arrumar a casa. Vamos ver esses números daqui uns dois, três meses. Vamos começar a ver a curva de diminuição ou manutenção, mas precisamos dar um tempinho para o governo”, diz Astrini.