Assassinou casal – Perícia rechaça tese de que diabetes levou autor a cometer crime

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Do: MidiaNews
O delegado Marcel Oliveira afirmou que não restam dúvidas da premeditação do crime
O delegado Marcel Oliveira está a frente do caso e finalizou o inquérito na última sexta-feira (27)

Peritos da Politec refutaram o argumento do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, de 57 anos, que atribuiu o assassinato de sua ex-namorada e do atual dela a uma “descompensa emocional” causada pela diabetes.

O empresário, filho do deputado federal Carlos Bezerra, matou a tiros a servidora Thays Machado, de 44 anos, e Willian César Moreno, de 30, no dia 18 de janeiro em frente ao edifício Solar Monet, em Cuiabá.

De acordo com o delegado Marcel Oliveira, responsável pelo inquérito, não restam dúvidas da premeditação do crime diante das provas de que ele monitorava e perseguia a vítima. Na madrugada, horas antes do crime acontecer, ele tentou encurralar as vítimas.

“Assim que tivemos conhecimento dessa situação expedi uma requisição pericial para os médicos legistas da Perícia Técnica do Estado, que atuam na área de psiquiatria, onde foram questionados seis quesitos”, explicou o delegado.

Dentre as perguntas, conforme o delegado, estava a explicação do que seria a diabetes em estágio de neuropatia alegada pelo empresário; se a diabetes por si só seria capaz de provocar descompensa emocional ou violenta emoção; e se a diabetes em estágio de neuropatia seria capaz de causar inimputabilidade penal ou semi-inimputabilidade penal.

“Com isso a gente procurou refutar lá na frente do processo eventuais teses de defesa, de que ele estava descompensado emocionalmente, estava agindo sobre o domínio de violenta emoção”, afirmou.

“Em resumo foi respondido ‘não’. Não tem nenhuma relação do ponto de vista técnico entre diabetes em estágio de neuropatia com qualquer um desses tipos aqui falados”, acrescentou.

Para o delegado, o crime requereu engenhosidade e premeditação por parte de Carlos Alberto, que monitorava a localização e os contatos da vítima, catalogando tudo em agendas tão meticulosas que vinham até mesmo com legenda de cores.

Segundo Marcel Oliveira, o indiciado saiu armado mesmo não tendo porte de arma, rondou a casa da mãe de Thays, abordou o casal horas antes do crime e sabia sobre os principais lugares em que a poderia localizar.

“Ele ficou de tocaia esperando o melhor momento para atingir as vítimas. Não há que se falar em qualquer tipo de eventualidade, foi premeditado, foi buscado esse resultando, resultado esse que ele atingiu”, afirmou.

“O nível de preparação para cometer o crime estava na arma, no GPS, na escuta, nos prints de localização, no levantamento dos principais pontos em que a vítima poderia ser localizada, tudo isso confirma o que a gente já suspeitava”.

Carlos Alberto foi indiciado por dois homicídios com quatro qualificadores distintos, sendo eles feminicídio, motivo torpe, recurso que impossibilitou a defesa das vítimas e por perseguição majorada.