Informante da PM armava ocorrências e selecionava vítimas de execuções em troca de dinheiro e celulares

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Do: Olhar Direto
Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Informante identificado como Ruiter Candido da Silva, supostamente responsável por convidar pessoas para atos criminosos, gerando execuções previamente ajustadas com policiais, recebia dinheiro ou bens apreendidos como pagamento pela parceria com militares. Detalhes constam em decisão da juíza Monica Perri, em atuação na 12ª Vara Criminal de Cuiabá.

Ruiter confessou que transitava bem entre os criminosos e auxiliava nas suas prisões em troca de dinheiro e bens apreendidos, como aparelhos celulares. Entretanto, em dado momento, a finalidade dessa parceria começou a mudar. Em vez de prender criminosos, os policiais militares passaram a executar os supostos bandidos. Execuções serviam como forma de promover o nome e o batalhão dos PMs envolvidos.

Ao menos seis casos semelhantes, entre 2017 e 2020, são citados. Através de investigações foram identificados pontos semelhantes e convergentes entre os casos, com indícios de execução, tais como excessivo número de disparos efetuados pelos Policiais Militares, ausência de disparos na direção oposta, inexistência de lesões de defesa nas vítimas e caracterização de “tiro encostado”.

Também causou desconfiança de investigadores o fato de sempre haver a figura de um “segurança/vigilante” que passava informações de locais fáceis e lucrativos para a prática de assaltos. Porém, os indivíduos cooptados eram interceptados e mortos por Policiais Militares, os quais alegam que haviam recebido informações anônimas sobre os supostos assaltos e planejaram a abordagem, momento em que entraram em “confronto” com os criminosos, agindo em legítima defesa.

Em vários casos, houve a presença de um segundo ou até mesmo terceiro veículo de apoio dos criminosos, que sempre conseguia foragir. Coincidentemente, em quatro dos casos investigados tal veículo trata-se de um Volkswagen Fox, de cor vermelha. No decorrer das investigações restou apurado que o suposto segurança que cooptava tais indivíduos para os supostos assaltos é o informante da polícia de nome Ruiter.

Ruiter, quando interrogado, confessou ser o referido “segurança/vigilante”, afirmando que os supostos assaltos eram “armados” em conjunto com policiais militares, visando atrair pessoas com passagens criminais ou não, para serem executadas sumariamente.

PMs representados possuem acesso aos sistemas de informações e checagens da Secretaria de Segurança Pública, através dos quais obtêm informações sobre eventuais alvos, ocorrências, monitoramento eletrônico, e assim podem utilizar o aparato estatal para selecionar vítimas com eventuais passagens criminosas para ser executadas.