Cacique suspeito de receber dinheiro para arrendar áreas indígenas em MT já recebeu prêmio como defensor de território Xavante

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Por Kessillen Lopes, g1 MT
Cacique Damião é suspeito de receber R$ 900 mil por mês para autorizar fazendeiros a usarem área, segundo a PF — Foto: Facebook/Reprodução

cacique Damião Paridzanéinvestigado pela Polícia Federal por suspeita de receber dinheiro em troca da concessão ilegal de áreas indígenas à fazendeiros, é um dos principais líderes citados e premiados na história da luta do povo Xavante para a reconquista da Terra Indígena Marãiwatsédé e expulsão de não indígenas da área. A defesa do cacique informou que vai se manifestar depois que analisar o processo.

Nesta quinta-feira (17), o cacique teve uma caminhonete SW4 apreendida na Operação Res Capta, que teria recebido em troca do arrendamento de terras. Damião também é suspeito de receber R$ 900 mil por mês para autorizar fazendeiros a entrarem na terra.

cacique já foi homenageado na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), durante o XI Seminário de Educação (Semiedu 2013), sendo reconhecido como ‘lutador’ dos povos indígenas.

Logo depois, em Brasília, ele ganhou um reconhecimento na 20ª edição do Prêmio de Direitos Humanos. Na ocasião, o líder indígena recebeu um troféu por “nunca ter negociado com fazendeiros e políticos, e sempre afirmar: ‘eu só preciso da terra”.

Damião Paridzané é visto pela comunidade Xavante como a principal liderança na luta pelo território indígena.

Tudo começou quando ele ainda era adolescente e, junto com quase 300 pessoas, foi retirado do território Xavante Marãiwatsédé, localizado entre os municípios de Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia e São Félix do Araguaia, e levado à Missão Salesiana de São Marcos, na aldeia que leva o mesmo o nome.

Um trabalho de pesquisa feito pelo estudante Lázaro Tserenhemmewe Tserenhitomo, na Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), em 2016, conta a história de Damião.

Em 1966, um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) fez a transferência dos xavantes para uma nova aldeia, a São Marcos. No local, Damião foi separado dos pai e permaneceu em um internato, onde permaneceu até se casar.