Inquérito da morte de aluno em cachoeira durante passeio escolar é concluído e 11 funcionários são indiciados em MT

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Por g1 MT
Daniel Hiarle Arruda de Oliveira, de 14 anos, morreu em excursão de escola — Foto: Arquivo pessoal

A Polícia Civil concluiu o inquérito que apurou a morte do adolescente Daniel Hiarlly Rodrigues de Arruda, de 14 anos, durante uma excursão escolar em Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá. Onze funcionários da escola que organizou a aula de campo foram indiciados por homicídio culposo.

Segundo a polícia, foram indiciados a diretora, coordenadores, agente de pátio e professores da Escola Estadual Welson de Mesquita Oliveira, de Cuiabá.

Daniel morreu em uma das cachoeiras do Complexo Véu de Noiva, no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães no dia 6 de dezembro do ano passado.

O exame de necropsia apontou asfixia por afogamento como a causa da morte de Daniel. O exame toxicológico foi negativo para substâncias alcoólicas e psicoativas.

No inquérito instaurado pelo delegado Alexandre Nazareth foram ouvidas a família do adolescente, professores e servidores que estiveram presentes à aula de campo, a direção da escola e estudantes que estiveram próximos à vítima.

A Polícia Civil também ouviu funcionários do ICMBio, instituto que administra o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães e responsável por autorizar a entrada de visitantes no local.

A aula de campo envolveu 71 estudantes da escola estadual divididos em turmas e monitorados por professores para a visita ao circuito de cachoeiras.

Durante o passeio, três alunos desapareceram e dois deles foram encontrados em uma trilha, exceto Daniel. Com o sumiço dele, os professores acionaram o Corpo de Bombeiros, que o encontrou morto horas depois em uma cachoeira.

“Porque os professores que estavam cuidando dele não falaram que era perigoso. Ele era grande, mas era uma criança. Uma criança que não tinha noção de perigo, não tinha malícia, tudo era alegria”, disse a mãe de Daniel durante entrevista.

Passeios em trilhas e cachoeiras eram feitos com guias de turismo até novembro deste ano, mas portaria do Meio Ambiente liberou visitas sem acompanhamento de profissionais — Foto: Rafaella Zanol/Secom-MT
Passeios em trilhas e cachoeiras eram feitos com guias de turismo até novembro deste ano, mas portaria do Meio Ambiente liberou visitas sem acompanhamento de profissionais — Foto: Rafaella Zanol/Secom-MT
Investigação

Conforme uma das professoras ouvidas no inquérito e autora do projeto, a aula de campo foi idealizada com o objetivo de proporcionar conhecimento sobre a biodiversidade, aspectos cultural, biológico e histórico do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães e conhecer o ponto turístico Véu de Noiva.

A descrição do projeto apontava que a visitação da turma de alunos seria mediante guia e as atividades consistiriam em observar, anotar e aprender, não havendo, portanto, especificada atividade de aventura, como banho no circuito de cachoeiras.

O projeto acadêmico foi revisado pela diretora da escola e passou pela equipe gestora da unidade. Também teve a aprovação da representante do Conselho Deliberativo Escolar, que em assembleia pedagógica que avaliou a aula de campo em debate e na qual tinha, inclusive, poder de veto, fez os apontamentos que julgou necessários e, depois de vê-los atendidos, votou por sua aprovação.