UFMT desenvolve curativo de queimadura à base de borracha natural, babosa e própolis

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Do: Olhar Direto
Foto: Reginaldo dos Santos / EPTV

Uma pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus Araguaia, localizado em Pontal do Araguaia (516 km de Cuiabá), está desenvolvendo um curativo para queimaduras à base de borracha natural, babosa e propólis. Os três ingredientes são considerados fitoterápicos importantes com ação anti inflamatória, analgésica, antibacteriana, entre outros.

De acordo com a assessoria da UFMT, o projeto encontra-se em fase de desenvolvimento experimental, mas apresenta potencial de melhorar e diminuir os custos dos tratamentos relacionados aos curativos utilizados em queimaduras.

Ainda conforme a instituição, queimaduras precisam de acompanhamento médico e, geralmente, possuem extensão e profundidade considerável. Essas características tornam a lesão vulnerável a infecções e exige uma manutenção mais complexa que a de um corte, onde a pele é ponteada.

Em lesões causadas pelo calor, o tratamento dos ferimentos inclui três funções: controle do crescimento bacteriano; remoção do tecido necrosado; e estímulo do crescimento do novo tecido. O processo é feito em etapas separadas atualmente. Para Loyana Almeida, uma das responsáveis pelo projeto, a divisão limita a eficácia do tratamento.

“Ao produzir as membranas de borracha natural que estudamos podemos acrescentar diferentes compostos medicinais, como os presentes na babosa e no própolis, que irão tratar dos ferimentos de forma mais ampla, contribuindo para diminuir a frequência na troca de curativos do paciente”, explicou Almeida.

A babosa, também conhecida como aloe vera, e o própolis são plantas com um forte lastro científico amplamente utilizadas de forma tradicional. A babosa, especificamente, é um fitoterápico com ação anti-inflamatórias, imunomoduladoras, que favorece o crescimento de vasos sanguíneos e restauração da pele.

“A própolis, por sua vez, têm capacidade antioxidante, anti-inflamatória, analgésica, antibacteriana e antifúngica. Além disso, no processo de cicatrização, ela tem se indicado promissora devido à capacidade de aumentar a proliferação, ativação e crescimento das células da pele e estimular a expressão de colágeno”, afirmou Loyana, com base em uma pesquisa anterior realizada pelo grupo.

Ainda conforme a pesquisa, a borracha natural é capaz de estimular células e fatores específicos envolvidos na cicatrização, como a angiogênese, processo de formação de novos vasos sanguíneos para nutrição e reparo da região da queimadura.

Etapa da pesquisa

De acordo com a UFMT, o projeto está em fase de desenvolvimento experimental. “A proposta visa unir o melhor dos três, borracha natural, própolis e babosa. Primeiramente integrando conhecimentos físico-químicos e, então, entendendo quais os efeitos imunológicos e fisiopatológicos da membrana desenvolvida”, disse a pesquisadora, e completou: “Mais estudos ainda são necessários para determinar eficácia e segurança, antes da aplicação clínica em humanos  e é por isso que a aprovação e fomento pela FAPEMAT será tão importante”.

A pesquisa é supervisionada pela professora Paula Cristina Souza Souto, da UFMT Câmpus do Araguaia, que também é responsável pelo projeto. Além disso, o projeto recebe financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat).